segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eu quero é que queime

"We make lists, we make plans
to write books, to form bands
or to move to kreuzburg
and escape into the night
so pack your bags and lets take control
you and me lets go
the next time that you're lonely,
or the next time that you're free"

(Foto: Culpeo-Fox)

Quando você apareceu eu estava na minha paz. Eu não queria nada, não precisava de nada, não precisava de ninguém. Meu coração gritou mais alto e resolvi abrir uma exceção pro que a pouco eu havia prometido parar.

Você estava tão proximo, era evidente que algum dia iriamos nos esbarrar por ai. Então, eu joguei as chaves e te deixei entrar. Há tanto tempo você estava parado bem em frente a porta, por que não arriscar, não é? Você entrou no meu mundo, conheceu as minhas fantasias, as minhas loucuras, me deixou entrar no seu, conhecer os seus segredos, seus problemas, seus sonhos e em menos de duas semanas nos juntamos a um ponto de parecer um só.

Tudo ia tão bem, eu criei tantas expectativas, fiz tantos planos, não via a hora de coloca-los em prática, mas as coisas começaram a mudar, sumiços repentinos, modo de agir, falar, a distancia... tentamos ajudar, mas a chuva caiu e tudo foi por agua a baixo depois daquele telefonema. Mudei o cabelo, você o perfil; mudei as músicas, você os filmes; mudei as roupas, você o cabelo; mudei as palavras, você as letras... Eu me acabei por uns dias, você sumiu por um fim de semana, tentamos conversar, saimos, tentamos ser amigos, mas a vida é dura demais, qualquer relacionamento instavel não pode durar muito nem dar tão certo de nehuma forma possivel, e assim foi.

Começamos a brigar quase que semanalmente, depois quase que diariamente, até que você novamente apareceu. E quando você apareceu, eu estava na minha paz. Eu não queria nada, não precisava de nada, não precisava de ninguém. Eu estava feliz, cara, eu estava feliz! Então você destrancou novamente a porta e jogou um balde de água fria onde já estava seco e quente...

Tudo bem. Passou. Eu superei mais esse trauma. Eu sinto muito por tudo, sinto mesmo, você me fez passar muitas coisas boas, mas eu não posso ignorar o sofrimento. Eu espero que você queime da minha memória, dos meus dias, dos meus pensamentos, da minha vida.

Por que tudo que se taca fogo, tudo que queima, acaba.

Para ler ouvindo: Get Cape, Wear Cape, Fly - Find The Time

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Nós

"Há pessoas que nascem para serem sós a vida inteira. Eu, por exemplo. (…) Freqüentemente me assusto, pensando que a vida vai acabar sem que eu encontre um grande amor ou uma grande amizade, ou mesmo uma grande vocação que justifique esse isolamento".
(C.F.A)

(Foto: Pequenas Epifanias)

Sabe, apesar de tudo que você me fez, eu ainda gosto de você. Apesar de toda a dor que um dia eu senti, de todas as lagrimas que eu já derramei, de todos os nomes que eu já te xinguei, por que no fundo você sempre foi bom pra mim e se estamos aqui ainda, a exatamente 2 anos, 11 meses, 38 dias e aproximadamente 25440 horas é por que deve ter algum motivo.

Por que em todo esse tempo você conseguiu me conhecer melhor do que todas as pessoas que já passaram pela minha vida, desvendar segredinhos, meus planos de fuga, meu jeito de conversar por todos os meios possiveis, meu jeito insano de me deprimir até quase a morte pra me libertar do sofrimento depois, meu jeito pisicodélico de ouvir Pink Floyd pra ficar animada e de ouvir Nine Inch Nails quando estou triste, meu jeito timido de comer na frente das pessoas e meu jeito compulsivo de ler Carlos Drummond.

Em todo esse pouco tempo, por que apesar de tudo eu acho pouco, você conseguiu entender as minhas manias, os meus problemas psicológicos, minhas confusões, minhas irritações... Conseguiu me ajudar em todas as coisas que eu precisei, seja lá quais foram, problemas sentimentais, problemas da faculdade, problemas no computador, no celular, na diagramação do jornal, na cor do cabelo, na música deprimente...

Esteve presente durante quase sempre, com exceção das épocas que brigamos, mas mesmo assim, tenho certeza que você sempre esteve me observando de longe. Por que apesar de tudo nós sempre estivemos perto demais um do outro, tão perto a ponto de um sentir tudo que o outro passa. E isso tudo sempre foi importante pra mim, por isso ainda estamos aqui depois desses longos anos.

Para ler ouvindo: Avegend Sevenfold - Dear God

sábado, 4 de setembro de 2010

Eu e ele. Ele e eu.

"You are so young, and I guess I'm old
Open your eyes, and I'll keep mine close
I prefer standing, and you take a seat
I'll be wide awake and you'll be asleep"

(Imagem: Spamsalot)

E se for real? E se não for?



É engraçado isso. De nós dois. A gente nunca teve isso de junto. Porque não existe o ‘nós’. Nem beijos. Nem nada além do que a gente é. Sou eu e ele. E é ele e eu.

Sou EU e ele quando eu falo alguma coisa que deixa ele sem graça, sem reação, sem palavras. Porque é raro, mas acontece. E quando eu procuro de canto de olho onde ele está, mesmo sabendo que ele não vai chegar, e mesmo sabendo que ele vai. E como eu tenho decorado todos os contornos do rosto e adoro o jeito que os cílios dele curvam quando ele pisca. E quando eu reparo no jeito que ele dirige. Como ele se curva pra frente no banco, sem paciência.

E como eu adoro o cheiro dele que fica em mim quando ele me abraça. E quando eu o faço rir, e sinto todo o alívio que ele sente. E quando eu consigo fazer ele ficar a vontade o bastante pra se abrir comigo. E quando eu morro de ciúmes, e quando eu provoco, porque eu sei que ele também sente – embora ele nunca vá admitir.

E o jeito que eu brinco com meus dedos na nuca dele quando ele deita a cabeça no meu ombro. E como eu sei que isso deixa ele arrepiado, mesmo com ele tentando esconder. E quando alguma coisa boa acontece e é a imagem dele que vem na minha cabeça, meio sem ter por que. Como eu ignoro o mundo e volto toda a minha atenção pra ele. E o jeito que eu já sinto saudades segundos depois dele ir embora.

E é ELE e eu quando ele me toca sem motivo. Só pra me sentir mais perto. E no jeito que ele fica me olhando quando ele pensa que eu não estou vendo. Como se estudasse meu rosto, minhas expressões. E o jeito que ele sorri, mesmo sem perceber. E depois desvia o olhar quando percebe que eu percebi.

E quando ele sussurra alguma besteira no meu ouvido quando ele me abraça. De propósito, porque ele sabe o frio na barriga que isso me dá. E como ele sabe o que falar pra me fazer sentir melhor. E o jeito delicado que ele encosta as pontas dos dedos no meu rosto. Quando ele me liga sem motivo. Por saudades, ou porque queria ouvir a minha voz.

Quando ele se preocupa. E o jeito como ele realmente ouve o que eu falo. Como ele se lembra de detalhes do dia que a gente se conheceu. E quando ele me diz que não sabe o que faria se eu não estivesse aqui. E como ele me esquece tão fácil, mas se faz tão inesquecível. Como ele não gosta quando eu uso maquiagem, mas não diz. Quando ele se esquece de falar com o resto do mundo e vem direto pra mim.

E talvez não seja nada disso. Talvez seja somente eu, sozinha. E pra ele seja somente mais uma besteira qualquer. Apenas ele flertando comigo do mesmo jeito que ele flerta com a vida. Sem importância. Ou talvez seja confuso demais pra ele entender. E ele não gosta do confuso, ele foge. E agora? E se for real? E se não for?


Pra ler ouvindo: The All-American Rejects - "Poison"

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sem explicação

"I feel so lost
I don't know what else I can do
I've seen it all
And it's never enough..."


Existem coisas na vida que não tem explicação. Elas simplesmente acontecem. De um jeito bom, ruim, certo, errado, tanto faz. Às vezes elas machucam, às vezes elas emocionam, às vezes elas confundem... Mas no fundo no fundo, talvez elas tenham um porque, que nós, seres humanos não conseguimos enxergar.
Tudo que nós temos agora é um passado cheio de momentos bons que eu prefiro deixar esquecido.


"Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas". (Caio Fernando Abreu)


Para ler ouvindo: Shameful Metaphors - Chevelle

Deixa eu te falar

"It's crazy, I'm thinking
Just as long as you're around
And here I'll be dancing on the ground
Am I right-side-up or upside-down?
Is this real, or am I dreaming?"

(Imagem: MultiCurious)


É uma coisa assim, de sentir falta.



Eu não preciso de lentes coloridas ou de falsa pretensão pra te ver e entender como você é.

Eu não preciso de infinitas promessas, reafirmações vazias ou sentimentalismo barato pra crer e perceber o carinho nas palavras que você diz.

Eu não preciso de você aos meus pés, rastejando juras que não vai poder cumprir, isolando-se de tudo aquilo que você conhece.

Eu quero, sim, ser aquilo que os seus olhos procuram, que sua voz toca e seu pensamento nunca abandona.

Você tem FEITO tanta coisa, mas não faz idéia. E eu sinto TANTO, tanto a sua falta. Quando você não está, e quando você está mas não me diz.

Eu... não posso.


Pra ler ouvindo: Dave Matthews Band - "Crush"

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Enquanto durar

"Hello helicopter,have you heard the news?
No one gives a shit about the things they do
We all waste and consume, destroy and ruin everything we touch
It's easy not to think when you're not told that much"

(Imagem: healersmoon)



É isso de deixar dormir.




Eu tenho essa coisa assim. De me sabotar. Sempre que alguma coisa vai dar certo, que eu estou relativamente feliz, eu congelo. Sei lá qual a razão. O que eu sei é que em tempos em que eu acordo assim, nesses picos eufóricos, logo depois eu caio forte na conhecida realidade. É a confusão, é o não saber o que fazer.

Tem quem diga que é porque eu gosto de ser triste. Eu não sei se eu gosto de ser triste. Eu acho que eu conheço o ser triste, então é mais fácil pra mim. Eu sei me virar com a minha melancolia, com a minha solidão, com esse meu jeito meio bicho do mato de ser. Eu sei me virar com o rabiscar paredes, com as lágrimas, com as portas trancadas, com o telefone não tocando. Porque é o meu lugar comum.

Mas me é estranho os sorrisos constantes, o bem me quer, os carinhos gratuitos. O frio bom na barriga, o fácil respirar, os saltos, os telefonemas por saudades, o belo. Eu queria ser mais assim, mais de belo do que de estranho. Ou talvez eu não queira. Talvez eu queira apenas me sabotar menos.

Sei lá. E esse cheiro de coisa nova. É isso de acordar e gostar de saber o que vem pela frente. De saber que, mesmo tão perdida quanto sempre, ali dobrando a esquina tem muita coisa pra se encontrar. Até eu me sabotar mais uma vez. Mas, por enquanto, é só o deixar esquecer o incômodo.

É deixar dormir.



Pra ler ouvindo: Motion City Soundtrack - "Hello Helicopter"




terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quem sou eu?

"Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim."


(Imagem: columbiapower)



Eu não tenho uma cor preferida, mas gosto de pensar que verde dá sorte. Acho que é porque quando eu era pequena ganhei um anel de prata com uma pedrinha verde que minha tia falava que era ‘dá sorte’ (sabe como é né, criança acredita em tudo mesmo). Devido as mesmas circunstancias eu tenho um certo apreço por trevos e gnomos.


Eu gosto de dias frios, mas gosto mais ainda de dias frios com sol. Gosto de tomar banho bem quente e de tomar leite frio, nem quente nem gelado, em temperatura ambiente. Gosto de ouvir o barulho da chuva antes de dormir, de pintar as unhas de azul, de mandar sms de madrugada, de frutas vermelhas. Gosto de tudo de frutas vermelhas: Iogurte, creme hidratante, shampoo, cremes de cabelo, balas, tortas...


Eu gosto de vento gelado batendo no rosto, de escrever textos sem fundamento algum, de ficar observando as pessoas e imaginando como elas são, o que elas gostam ou como elas eram quando crianças e como serão quando ficarem mais velhas, gosto de filmes tristes, de dormir até tarde de ficar pensando sobre coisas aleatórias e no que poderia ter sido diferente se tal coisa não fosse do jeito que é.


Gosto de roupas estranhas, das paredes floridas do meu quarto, de desenhar estrelas quando estou distraída, de bala de doce de leite com chocolate, de fazer origami, de festinha familiar, do cheiro de roupa recém lavada, de fotografias, de corujas e porcos, de sonho de valsa, de Kings of Convenience, de jogar dominó, de colecionar latas de cervejas importadas, de bolo de laranja, de perfume doce.


Gosto de gente impulsiva, de ganhar cartinhas, de suco de acerola, de ficar deitada na cama depois do banho, de pão quentinho com manteiga, de quem me liga de madrugada para falar que me ama por motivo nenhum, de quem apenas me liga de madrugada. De chorar vendo filmes, de espremer laranjas, de marshmellows, de Carlos Drummond, de viajar nas coisas e saber que tem quem me compreende, de músicas de fossa.


Eu gosto de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de conversar por sms, de animais, de lápis preto no olho, de pintar o cabelo com freqüência, de falar de vingança, de colocar fogo nas coisas, (é, não me deixem perto de um isqueiro ou de uma caixa de fósforos). Gosto de Bernese Mountain Dog, de Calvin e Haroldo, de colecionar discografias, de apertar botões, de escovar os dentes.


Gosto de kaiak aventura, de martini de morango, de abraço (adoro abraços, abraços, abraços, muitos abraços), de dormir do lado esquerdo, de falar no telefone andando pela casa, de tirar os pés para fora da coberta, de neologismo, de chorar até dormir, de mudar as coisas quando perco algo que eu gosto muito, de rir até dar dor no estomago, de Alice no Pais das Maravilhas.


Gosto de demonstrações de afeto inesperadas, de assistir mil vezes o mesmo filme e chorar todas as vezes, de me identificar com pessoas, de olhos castanhos e cabelos cacheados, das minhas unhas compridas, de ter saudade do meu cabelo loiro, das minhas paixões platônicas, da minha cachorra chata e do meu vira lata branquinho, de colocar 'ous' no final de algumas palavras, de dormir com o colchão no chão, de barba e homem de social.


Gosto de ouvir música no carro, no ônibus, em casa, antes de dormir, o dia todo. De bolo de caneca, de encontros inusitados, de cheiro de fósforo e de gasolina, de massagem no pé, de caneta azul e letras de forma, de batom vermelho, da minha bipolaridade, das minhas confusões e da minha chatice, das minhas manias estranhas.



Pra ler ouvindo: Kings of Convenience - "Failure"